sábado, 2 de outubro de 2010

O Molho de Lenha

Era uma vez uma mulher que desejava criar uma receita de culinária inesquecível, porque queria que todos dissessem que ela era a melhor cozinheira do mundo. Passou dias e dias a misturar ingredientes, entre doces e salgados, carne e peixe, cereais e vegetais. Depois de muito experimentar, achou que tinha inventado uma receita especial e deu-a a provar aos homens e às mulheres da sua aldeia, mas estes fizeram uma carantonha de horror. Houve, porém, um dia, uma receita muito apreciada por todos: ovelha com molho de lenha.

Para anunciar a sua nova receita, a mulher convidou todos os habitantes da aldeia e confeccionou-a num caldeirão muito, muito grande. Porém, quando ia servir a iguaria, teve um problema: não tinha força para segurar no caldeirão. E pensou que só conseguiria resolver esse problema com a ajuda de um homem forte, porque, na verdade, o caldeirão era pesado.

Contratou, então, um homem forte para a ajudar, mas que não chegou. Por isso, contratou mais um homem forte, mas que também não chegou. Contratou, finalmente, muitos homens fortes e, todos juntos, uns segurando bem por baixo do caldeirão, outros nas suas asas, lá o conseguiram levar para a mesa.

Os homens que vieram ajudar eram vinte, todos valentes, mas que também tinham um problema: não ouviam nem falavam nem viam. A mulher só veio a saber que eles eram todos assim quando lhes disse:

– Agarrem este caldeirão de ferro! – E ninguém se mexeu. Ao princípio, ela pensou que eles estavam a brincar com ela e voltou a dizer-lhes:

– Peguem neste caldeirão pesado. Olhem que eu sou uma mulher franzina e doentinha.

Mas, como eles não se mexiam, ela achou que o que eles queriam era dinheiro para se mexerem e ofereceu cinco moedas a cada um. Mas nenhum deles estendeu a mão para o dinheiro.

Então, a mulher começou a ficar furiosa e deu uma palmada ao mais magrinho de todos. Este abriu a sua boca desdentada e soltou um grunhido tão forte que a mulher se escondeu, cheia de medo, debaixo da mesa, e perguntou-lhe:

– Se eu te der 10 moedas, tu convences os teus amigos a levarem o caldeirão para a mesa?

E estendeu-lhe mais umas moedas, mas como ele era cego, surdo e mudo nem sequer olhou. A mulher ficou, então, ainda mais furiosa e chamou todos as mulheres das aldeias vizinhas para segurarem no caldeirão de sopa e o deitarem sobre os homens, que eram tão mal-educados.

Assim fizeram as mulheres, muito zangadas. Quando acabaram de deitar a última gota de sopa, os convidados, que ficaram sem comer, pegaram nos molhos de lenha, que tinham servido para cozerem a sopa, e arrearam nas mulheres. A que mais levou foi a cozinheira, porque não percebeu que os homens que tinham sido chamados para ajudar eram cegos surdos e mudos, mas o mais importante é que as mulheres tinham tido forças para segurarem no caldeirão e deitarem a sopa na cabeça dos homens e tinham tido preguiça de a porem na mesa e de a servirem aos convidados.

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