O retrato de Apolo começou a ser pintado imediatamente, porque o mestre mostrava ter muita pressa e ansiedade. Porém algo se terá passado, pois nenhum dos dois saiu à rua durante semanas. Onde estariam o homem e o seu modelo, se quando a aguadeira passou em frente e, vendo a cortina a esvoaçar ininterruptamente, até se despedaçar dois andares abaixo, subiu com o canastro e a bilha transbordante, degrau a degrau, e, batendo à porta, viu que estava aberta e, vendo que estava aberta, entrou e não os viu? Depois, poisando rodilha, canastra e bilha, espreitou em todos os aposentos, já alijada. Onde estariam? Ninguém os vira sair, porém não estavam. Se entrassem, encontrariam a aguadeira sentada sobre o estrado onde antes havia sempre telas cheias de cores. Mas que vazio este, o de não existir nenhum pintor naquela casa impregnada de acrílicos e de ceras! Cansada de esperar, a mulher foi embora e não regressou, mas foi avisando que aquilo era obra de mil diabos e que a casa estava ensombrada, se estava...
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